domingo, 01/11/2026

Vida ao lado de um data center nos EUA: o impacto do zumbido constante na rotina dos moradores

A rápida ascensão da inteligência artificial tem impulsionado a construção de data centers em todo o mundo, mas essa evolução tecnológica traz à tona preocupações significativas para as comunidades que convivem com essas estruturas.…

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A rápida ascensão da inteligência artificial tem impulsionado a construção de data centers em todo o mundo, mas essa evolução tecnológica traz à tona preocupações significativas para as comunidades que convivem com essas estruturas. Em Loudoun, na Virgínia, os moradores estão enfrentando uma realidade transformada pela proliferação de mais de 200 centros de processamento de dados, que não só alteram a paisagem, mas também a qualidade de vida.

Em uma reportagem veiculada pelo Fantástico, residentes da região relatam as consequências da expansão desses complexos, que têm se aproximado cada vez mais das áreas residenciais. A preocupação com os efeitos colaterais, como o barulho constante e a poluição gerada, é palpável. Lindsay, Greg e Jessica, que moram em frente a um desses centros, compartilham suas experiências de como a tranquilidade do bairro se dissipou desde 2022, quando um grande complexo substituiu uma área verde.

O funcionamento desses data centers, que muitas vezes gera sua própria energia através de turbinas a gás natural e geradores a diesel, tem resultado em um zumbido incessante e na liberação de fumaça escura. “É um barulho que nunca para”, desabafa uma das residentes, que ainda expressa sua angústia ao perceber a fumaça saindo das instalações. Outro morador menciona o gosto de diesel no ar, enquanto uma terceira residente revela que foi forçada a deixar sua casa devido ao funcionamento contínuo dos geradores.

Além das angústias pessoais, especialistas alertam para as implicações ambientais. Um estudo de Harvard sugere que a poluição resultante de um único data center pode custar até US$ 99 milhões por ano em internações e mortes prematuras. Essa realidade coloca em xeque as promessas de prosperidade associadas à tecnologia, à medida que a crescente demanda por energia elétrica exige investimentos substanciais em infraestrutura na Virgínia.

Vicky Woo, uma moradora que se opõe à construção de torres de transmissão perto de sua casa, destaca a falta de responsabilidade em caso de acidentes. “Estamos dentro da área de queda”, afirma, enfatizando que a proximidade de tais estruturas com residências nunca deveria ter sido considerada aceitável. Para ela, a questão não reside na existência dos data centers, mas na sua localização.

A preocupação com a instalação de data centers não se limita aos Estados Unidos. No Brasil, a recente aprovação do programa Redata, que oferece incentivos fiscais para o setor, levanta questões sobre regulamentações necessárias para proteger comunidades locais. Embora as empresas sejam incentivadas a utilizar fontes de energia renovável, detalhes sobre distâncias mínimas de áreas residenciais e controle de emissões ainda precisam ser definidos.

Enquanto a tecnologia avança, moradores de lugares como Loudoun enfrentam desafios diários decorrentes dessa transformação. Uma residente expressa sua apreensão sobre o futuro: “Que mundo vou deixar para meus netos?”, questiona, refletindo a preocupação de muitos em comunidades que lutam para equilibrar progresso e qualidade de vida.