domingo, 01/11/2026

Meta considera lançar versão de óculos sem câmera para revitalizar o produto

Em 2023, a Meta apresentou seus novos óculos inteligentes, em colaboração com a Ray-Ban, mas o lançamento gerou polêmicas que ofuscaram a inovação tecnológica. Desde o início, relatos de assédio e invasão de privacidade…

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Em 2023, a Meta apresentou seus novos óculos inteligentes, em colaboração com a Ray-Ban, mas o lançamento gerou polêmicas que ofuscaram a inovação tecnológica. Desde o início, relatos de assédio e invasão de privacidade emergiram, destacando o uso problemático dos dispositivos para filmar mulheres e meninas sem consentimento, ampliando a sensação de insegurança nas interações sociais.

Apesar da tentativa de reforçar a imagem da marca com a contratação de Kylie Jenner como modelo, os óculos rapidamente adquiriram apelidos negativos, como “óculos pervertidos”. Com isso, diversas instituições no Reino Unido, incluindo teatros e escolas, optaram por proibir o uso dos dispositivos, evidenciando a resistência do público e a preocupação com a privacidade.

Em reação às críticas, a Meta lançou recentemente uma nova versão dos óculos, agora sem câmera. Os Ray-Ban Meta Audio prometem manter funções de áudio, como ligações e reprodução de música, o que oferece uma alternativa mais segura e acessível. A empresa defende que o desenvolvimento desse novo modelo já estava em andamento há dois anos e não é uma resposta apressada ao clamor popular.

Embora a nova versão tenha o potencial de atrair consumidores preocupados com a privacidade, a questão persiste: a Meta realmente abandonou a ideia de integrar câmeras em seus produtos? O chefe de produtos da Meta Glasses, Ankit Brahmbhatt, mostrou-se cauteloso ao comentar sobre as vendas, enquanto analistas ponderam se essa mudança representa uma alteração significativa na estratégia da empresa.

Testando os óculos com câmera, percebi que o receio do público em interagir com usuários desses dispositivos é palpável. Embora não tenha enfrentado reações adversas, muitos demonstraram hesitação em se aproximar, temendo serem filmados. Essa realidade revela que a aceitação do público pode ser menos sobre a tecnologia em si e mais sobre a percepção coletiva que a acompanha.

Os óculos, como extensão do smartphone, oferecem funções práticas, mas a Meta é conhecida por sua exploração de dados pessoais, o que levanta novas preocupações. A doação de 15 mil pares para deficientes visuais mostra um lado positivo, mas a pressão por regulamentações aumenta. Uma petição criada por Liz Hunter clama por normas mais rigorosas, especialmente para proteger a privacidade das mulheres.

Apesar das críticas, outras empresas estão explorando o mercado de óculos inteligentes. A Samsung e a Google estão desenvolvendo suas versões, enquanto a Snap lançou um modelo que promete experiências interativas. A concorrência continua a crescer, e a Meta não parece disposta a recuar em sua busca por inovações.

O surgimento de modelos sem câmera pode ser visto como uma resposta às preocupações sociais, mas especialistas acreditam que a demanda por óculos com câmeras não vai desaparecer. O desafio permanece: como estabelecer normas sociais que garantam a privacidade e a segurança de todos em um mundo cada vez mais conectado? A questão continua em aberto, enquanto a tecnologia avança e os debates sobre suas implicações sociais se intensificam.

Crédito da imagem: Óculos inteligentes da Meta