A recente derrubada do vídeo do cantor MC Cabelinho pelo Instagram, uma plataforma sob o controle da Meta, gerou polêmica ao abordar acusações sérias contra o candidato à presidência Flávio Bolsonaro. O conteúdo, que discutia a alegação de que Flávio foi um funcionário fantasma no gabinete de seu pai, Jair Bolsonaro, foi retirado do ar em meio a um contexto eleitoral delicado, levantando questões sobre a liberdade de expressão e a utilização de inteligência artificial (IA) nas redes sociais.
Após a exclusão, MC Cabelinho expressou sua frustração em uma nova postagem, convidando seus seguidores a assistirem ao vídeo no YouTube. “Tropa, derrubaram meu reels (Revelando) mas o episódio continua no YouTube…. no link do story vocês consegue ver! ql foi @meta?”, declarou o artista, evidenciando a tensão entre criadores de conteúdo e as regras impostas pelas plataformas digitais.
Em resposta, a Meta justificou a remoção com base na resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe a publicação de conteúdos alterados por IA nas 72 horas que antecedem as eleições. A empresa afirmou que a tecnologia identifica automaticamente sinais de edições que envolvem IA, levando à indisponibilidade de tais publicações durante o período crítico. Essa medida, embora tenha como objetivo prevenir a desinformação, suscita debates sobre o impacto que pode ter sobre a disseminação de informações relevantes e de interesse público.
O portal Revelando, responsável pela produção do vídeo, não ficou calado e compartilhou reações de figuras públicas como Gregório Duvivier e Fábio Porchat, que criticaram a decisão da Meta, insinuando que a plataforma estaria boicotando conteúdos que não favorecem determinados candidatos. “Não tem IA nenhuma, isso é um boicote”, afirmou Duvivier, reforçando a ideia de que a medida pode estar atrelada a interesses políticos mais amplos.
A situação se torna ainda mais complexa considerando que a Meta foi recentemente cobrada pelo TSE para garantir um tratamento equitativo nas campanhas eleitorais. A empresa se comprometeu a não discriminar conteúdos políticos, mas a derrubada do vídeo de MC Cabelinho levanta dúvidas sobre a eficácia e a imparcialidade dessas promessas. O debate sobre a atuação da Meta e suas implicações na comunicação política está longe de ser resolvido, especialmente em um cenário eleitoral onde a transparência e a igualdade de acesso à informação são cruciais.



