domingo, 01/11/2026

Iniciativa de jovem visa facilitar a localização de desaparecidos após terremoto na Venezuela

Em meio à devastação provocada pelos terremotos que atingiram a Venezuela em junho, Jorge Bastidas, um programador venezuelano radicado na Argentina, lançou uma iniciativa que se tornou um farol de esperança para muitos. Ao…

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Em meio à devastação provocada pelos terremotos que atingiram a Venezuela em junho, Jorge Bastidas, um programador venezuelano radicado na Argentina, lançou uma iniciativa que se tornou um farol de esperança para muitos. Ao receber a notícia dos tremores, Bastidas rapidamente percebeu a gravidade da situação e decidiu agir, criando a plataforma “Desaparecidos Terremoto Venezuela”.

Após os dois terremotos que ocorreram no dia 24, Jorge se viu em um dilema angustiante: enquanto tentava contatar sua família, a dificuldade de comunicação se impunha. O desespero compartilhado por outros venezuelanos em sua rede de contatos o levou a desenvolver um portal onde as pessoas poderiam registrar o desaparecimento de seus entes queridos e buscar informações.

Até hoje, o site recebeu mais de 82 mil registros, dos quais cerca de 29.486 pessoas ainda permanecem sem contato. Esse número, embora alarmante, pode ser ainda maior, já que estimativas de outras plataformas independentes apontam para um total de 41.357 desaparecidos. A ausência de uma lista oficial por parte do governo venezuelano tem gerado indignação e questionamentos sobre a falta de ação governamental em uma situação tão crítica.

Em suas palavras, Bastidas expressa um sentimento de impotência e frustração diante da inércia do governo: “Eles têm os recursos necessários para buscar essas pessoas e fornecer informações à população, mas não o fazem.” O desamparo é palpável, e a necessidade de uma resposta ágil e eficaz se torna mais evidente a cada dia que passa.

Com a ajuda da inteligência artificial, Jorge lançou o site apenas quatro horas e meia após os terremotos. No início, a plataforma enfrentou desafios como a sobrecarga de acessos e tentativas de desinformação, mas rapidamente se tornou um recurso valioso para as famílias que buscavam por seus entes queridos. A implementação de um sistema de reconhecimento facial, oferecido por um laboratório de inovação, também se mostrou eficaz, permitindo que as pessoas identificassem possíveis desaparecidos com mais rapidez.

Ao longo desse processo, colaboradores como Daneli Hernández, advogada e amiga de Jorge, mobilizaram esforços para coletar informações diretamente dos hospitais, onde muitas vítimas foram levadas. O trabalho árduo de transcrição e comparação de dados resultou em mais de 3 mil registros de pessoas encontradas, trazendo um pouco de alívio em meio ao caos.

Histórias de reencontros e de perda têm emergido desse mar de incertezas. Alceo Angelini, que registrou o desaparecimento de seu primo, encontrou consolo na iniciativa de Bastidas, mesmo que seu familiar tenha reaparecido por conta própria. A plataforma se tornou uma ferramenta vital para muitos que, sem apoio governamental, se viram obrigados a buscar ajuda na sociedade civil.

Apesar de enfrentar ataques cibernéticos e a constante necessidade de verificação dos dados, Jorge Bastidas continua determinado. “Não devemos esperar pelo Estado para agir”, afirma, ressaltando a urgência de informar a população sobre a situação real. Seu objetivo é claro: proporcionar segurança e clareza para aqueles que, como ele, se sentem impotentes diante de uma tragédia que não deveria ser enfrentada sozinha.