Nos últimos dias, a atenção da mídia foi capturada pela mais recente obsessão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: a reformulação do termo “inteligência artificial” para “superinteligência”. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump argumentou que o termo atual sugere uma tecnologia falsa e prometeu que tanto os documentos dos EUA quanto, espera ele, os do mundo inteiro, adotariam a nova nomenclatura.
Antes de decidir pela nova designação, o presidente promoveu enquetes em sua rede social, a Truth Social, oferecendo alternativas como “Inteligência Superior” e “Inteligência Extrema”, mas foi “Superinteligência” a vencedora. Embora a mudança de nome tenha gerado discussões acaloradas, Trump não apresentou um plano claro sobre como essa alteração seria implementada ou se teria o apoio do setor tecnológico.
Mais controvérsias surgiram quando Trump declarou que consideraria “inimigos” aqueles que insistissem em usar o termo “inteligência artificial”. Essa retórica levanta questões sobre o que realmente está em jogo nessa mudança de terminologia. Especialistas na área, como Anderson Soares, apontam que a definição de inteligência, seja biológica ou artificial, é complexa e ainda não existe consenso. Para Soares, essa proposta parece mais uma manobra política do que um passo significativo para o avanço da tecnologia.
O professor Cleber Zanchettin, da UFPE, também criticou a abordagem de Trump, sugerindo que o uso do termo “superinteligência” é mais uma jogada de marketing do que uma mudança substancial. Ele ressalta que a maioria da população ainda está confusa sobre o que realmente significa IA, e um novo rótulo pode aumentar o medo e a resistência em relação a essas tecnologias.
Além disso, a percepção pública sobre a IA é bastante negativa. Pesquisas recentes mostram que a maioria dos brasileiros e americanos expressa mais preocupação do que entusiasmo em relação à possibilidade de a IA superar a inteligência humana. Isso sugere que, em vez de promover aceitação, a mudança de nome pode exacerbar o medo e a desconfiança.
O termo “inteligência artificial” foi estabelecido na década de 1950 por pioneiros como John McCarthy e Marvin Minsky, que buscavam criar máquinas capazes de raciocinar. Desde então, a tecnologia evoluiu consideravelmente, sendo parte do cotidiano em diversas aplicações, desde reconhecimento facial até assistentes pessoais. No entanto, a noção de “superinteligência” ainda é uma ideia teórica, sem evidências concretas de que já a tenhamos alcançado.
À medida que avançamos para uma era em que a IA generativa se torna predominante, como no caso do ChatGPT, a forma como discutimos e nomeamos essas tecnologias pode ter um impacto significativo na sua aceitação pública. Para Anderson Soares, essa transição tecnológica costuma ser marcada por medo e incerteza, seguidos por aceitação e, eventualmente, integração ao cotidiano das pessoas.



