sexta-feira, 06/11/2026

Apple limita sugestões de termos polêmicos em dispositivos iPhone

A Apple, gigante da tecnologia, mantém em segredo uma extensa lista de palavras e expressões que não são sugeridas pelo teclado do iOS, conforme revelou um pesquisador na última sexta-feira (6). Com dezenas de…

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A Apple, gigante da tecnologia, mantém em segredo uma extensa lista de palavras e expressões que não são sugeridas pelo teclado do iOS, conforme revelou um pesquisador na última sexta-feira (6). Com dezenas de milhares de termos em diversos idiomas, essa lista tem como objetivo evitar que os usuários encontrem sugestões que possam ser consideradas ofensivas ou controversas. No entanto, a descoberta levanta questões sobre a influência sutil que essa prática pode ter na comunicação dos milhões de usuários de iPhone.

De acordo com Derik Kauffman, o pesquisador responsável pela revelação, essa estratégia da Apple pode ser vista como uma forma discreta de censura. “Em uma escala tão ampla, uma intervenção pequena pode causar um impacto significativo”, afirmou Kauffman. O foco da lista recai majoritariamente sobre palavras de conotação vulgar, ofensiva ou que tocam em temas delicados como drogas, sexo e violência. Contudo, expressões com viés político, como “dictator Trump” e “sleepy Joe”, também estão presentes.

A Apple não forneceu detalhes sobre a composição ou o propósito da lista em resposta ao contato de Kauffman, limitando-se a afirmar que os usuários podem digitar termos específicos, apesar das sugestões automáticas. No entanto, Kauffman destaca inconsistências, apontando que enquanto “read smut” pode ser digitado facilmente, “read gay smut” não é aceito.

Esse fenômeno não se limita ao inglês; usuários de diferentes idiomas enfrentam barreiras semelhantes. Por exemplo, em hindi, termos que criticam figuras políticas são igualmente restringidos, assim como expressões sobre imigração em francês e questões territoriais em hebraico. Kauffman observa que esse padrão se repete em várias línguas, o que sugere uma abordagem global da Apple para moderar a linguagem usada em sua plataforma.

A descoberta de Kauffman não é um caso isolado. Outros usuários, ao longo dos anos, relataram dificuldades semelhantes com o teclado do iOS, levando a questionamentos sobre os critérios utilizados pela Apple para decidir quais termos devem ser filtrados. Recentemente, um administrador de sistemas norueguês encontrou uma lista de palavras como “al-Qaeda” e “Auschwitz”, evidenciando a natureza sensível e potencialmente problemática desse recurso.

A crítica à falta de transparência da Apple é apoiada por especialistas, como David Greene, da Electronic Frontier Foundation, que argumenta que, embora a intenção de evitar sugestões indesejadas possa ser válida, os usuários devem ser informados sobre esses filtros e ter a opção de personalizá-los. A situação levanta a discussão sobre o equilíbrio entre segurança e liberdade de expressão em plataformas digitais, um assunto que continua a ser debatido em um mundo cada vez mais conectado e regulado.